9 de fevereiro de 2022
A pandemia apresentou um desafio sem precedentes na história do trabalho: o trabalho remoto. Nesse contexto, essa alternativa provou ser uma ferramenta importante para garantir a continuidade operacional das empresas.
Os benefícios são claros e visíveis para todos: redução do tempo de deslocamento e a possibilidade de os funcionários se concentrarem em suas tarefas. Além disso, horários de trabalho flexíveis e a liberdade de trabalhar fora das instalações da empresa tornaram-se um fator positivo. No entanto, essa flexibilidade não deve ser uma desculpa para promover o isolamento e a perda de contato com os colegas.
De acordo com o documento “Teletrabalho durante e após a pandemia da COVID-19” da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apenas uma fração da força de trabalho trabalhou em casa. Por exemplo, dentro da União Europeia, a incidência variou de 30% ou mais, com países como Dinamarca e Suécia com 10%, assim como os Países Baixos. Nos Estados Unidos, o número sobe para 20%, no Japão é 16% e, na Argentina, apenas 1,6%.
Nesse sentido, a gestão das práticas dentro das empresas deve se adaptar à situação, tanto para estabelecer prioridades quanto para lidar com objetivos, carga de trabalho, tarefas e prazos.
Para alcançar isso, é essencial que toda a equipe seja gerenciada sob três pilares fundamentais: gestão de desempenho, comunicação e digitalização, conforme recomendado pela OIT. Mas antes disso, é necessário abordar um ponto-chave: a confiança.
Construir confiança com a equipe
Antes de focar nos pilares da comunicação, é fundamental construir confiança, pois isso garante que as equipes se adaptem ao ritmo de trabalho esperado pela organização. Dessa forma, os objetivos serão cumpridos com transparência e confiança em sua execução.
Sugere-se que os líderes organizem atividades extracurriculares mensais para criar espaços de integração que também alinhem as expectativas da empresa. A ideia é encontrar um equilíbrio entre a personalidade do funcionário e as responsabilidades que ele precisa desempenhar durante o dia.
Além disso, devem ser realizadas pausas ativas para proporcionar movimento ao corpo e oxigenação ao cérebro, para que o funcionário se sinta confortável em seu espaço de trabalho. Para aumentar a eficácia e a produtividade, muitas pessoas optam pela técnica Pomodoro, que divide o trabalho em blocos de tempo separados por pequenas pausas, geralmente de cinco minutos. O objetivo é melhorar os resultados.
Como focar nos objetivos da empresa?
Os pilares recomendados pela OIT são medidas que devem ser adotadas. O primeiro passo é reconhecer as prioridades da organização, realizar uma avaliação de habilidades entre os funcionários, incentivar que os colaboradores se manifestem caso se sintam sobrecarregados e reconhecer que o tempo longe da conectividade é necessário para realizar bem as tarefas.
Agora, conhecendo essas premissas, é importante desenvolver os três pilares para obter resultados positivos com equipes que trabalham em casa:
Gestão de desempenho
Este é, sem dúvida, o pilar que as organizações mais enfatizam, pois se baseia no desempenho da equipe e no cumprimento de toda a estratégia definida.
A OIT considera importante que o teletrabalho seja baseado no diálogo, na cooperação e nos funcionários, conforme declarado no Guia mencionado anteriormente. Além disso, o melhor método é o processo conhecido como gestão por resultados, em que a gestão e os funcionários estabelecem um método comum para avaliar a produtividade.
O processo de gestão incluirá a definição de objetivos, tarefas, supervisão e discussões sobre o processo em andamento. O objetivo é tornar as tarefas flexíveis sem pressionar os funcionários. Além disso, é essencial ter em mente que:
- Seja claro sobre os resultados esperados, ou seja, seja específico sobre o que é esperado do funcionário.
- Forneça feedback oportuno, regular e descritivo ao funcionário.
- Ofereça respostas positivas para trabalhos bem realizados.
- Priorize chamadas de vídeo para conversas relacionadas ao desempenho.
Digitalização
Este ponto refere-se ao uso de tecnologia como computação em nuvem, ferramentas de programação e aplicações ou plataformas online que facilitam o acesso remoto e o trabalho colaborativo, sendo um exemplo o Microsoft Teams.
A digitalização avança tão rapidamente que é necessário manter os funcionários em aprendizado constante para evitar que se sintam despreparados para as mudanças drásticas que ocorrem atualmente.
Para alcançar uma produtividade semelhante à do escritório, a OIT afirma que é necessário garantir que as equipes tenham acesso à tecnologia e às ferramentas. Também é importante, como mencionado, estabelecer diálogo contínuo para detectar quaisquer dificuldades no uso das plataformas. Além disso:
- Revisar as necessidades tecnológicas e os recursos do empregador que trabalha em casa.
- Incluir opções de reembolso nas políticas de teletrabalho para apoiar os funcionários que fornecem equipamentos, internet e ferramentas de comunicação para alcançar os objetivos da empresa.
- Oferecer treinamento constante sobre as ferramentas a serem utilizadas.
Comunicação
Se há um ponto que deve ficar claro, é que equipes remotas enfrentam mais desafios de comunicação do que aquelas que trabalham presencialmente. Quando os funcionários ficam separados por longos períodos, o isolamento profissional se intensifica, portanto, manter uma comunicação eficaz com mensagens claras é vital para o fluxo contínuo de informações.
As organizações devem considerar o seguinte:
- Estabelecer um repositório centralizado para todas as atualizações da empresa, mudanças e processos internos.
- Definir normas de comunicação quanto ao tempo de resposta preferido, estilo e tom da escrita.
- Permitir que os funcionários utilizem as ferramentas que considerem mais eficazes e fáceis de usar.
A importância da saúde

A saúde é importante, e as empresas também devem garantir que suas equipes estejam em boas condições, pois o estresse e as preocupações de muitos se intensificaram com o início da pandemia. De acordo com uma pesquisa da Kaiser Family Foundation apresentada no documento da OIT, quase metade dos adultos nos Estados Unidos foi afetada por problemas de saúde mental.
Muitos estudos mostram que o intenso período de confinamento desencadeou ansiedade, depressão, estresse, irritabilidade, insônia, raiva e esgotamento emocional. É fundamental que os líderes de equipe pratiquem a escuta ativa para identificar se algum funcionário está passando por uma situação específica. Realizar reuniões individuais para compreender as preocupações pode ajudar a promover conexões mais próximas e empáticas. Algumas empresas estão investindo em plataformas que oferecem apoio ao bem-estar emocional para organizações, como a ifeel, uma solução holística que melhora a motivação e a retenção de talentos ao abordar diversos aspectos.